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1. Título
Discussões
sobre
a
assistência
a
saúde
mental
prestada
pelo
serviço
ambulatorial
móvel
de
urgência (Samu)
na
cidade
de Natal/Rn,
Brasil (Discussions
about
mental
health
assistance
served
by
mobile
emergency
system - Samu-
in Natal City)
2. Descriptores
Urgência,
emergência, SAMU,
reforma
psiquiátrica,
saúde
mental
3. Investigadores
Katita Jardim,
Emanuela Justino
y
Magda Dimesntein,
Programa de Pós-Graduação em
Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte,UFRN,
Brasil.
4. Introducción
O Serviço Ambulatorial Móvel de Urgência (SAMU) é regido pela
Portaria 2048/GM que atesta que os atendimentos psiquiátricos de
urgência pré-hospitalar são de sua responsabilidade e que o mesmo
deve seguir as diretrizes da Reforma Psiquiátrica. Porém, a
assistência em saúde mental prestada pelo SAMU é muito pouco
discutida. Não há na literatura trabalhos que descrevam e
problematizem o funcionamento desse serviço quando se trata das
ocorrências psiquiátricas.
Objetivo: conhecer a dinâmica de atendimentos em urgência
psiquiátrica realizados por profissionais do SAMU/Natal-RN.
5. Población o muestra
Funcionários do SAMU/Natal que se mostraram mais envolvidos com os
atendimentos psiquiátricos. Realizamos entrevistas com quatro
funcionários do sexo masculino, na faixa dos 32 aos 47 anos, sendo
um médico regulador e três condutores veiculares. Um dos
condutores entrevistados também desempenha a função de técnico de
enfermagem.
Todos trabalham no SAMU há cerca de quatro anos.
6. Método
Foi feito um mapeamento de campo, viabilizado por visitas ao
local. Nosso critério de escolha foi identificar aqueles técnicos
que demonstravam mais interesse frente aos atendimentos
psiquiátricos.
7. Resultados
Os participantes indicaram que não existem capacitações em saúde
mental no SAMU e que para otimizar os atendimentos é necessário de
promovê-las para todos os funcionários. Como o SAMU é direcionado
por protocolos de procedimentos de urgência, foi sugerida, pelos
entrevistados, a criação de protocolo específico em saúde mental
para direcionar as suas atuações práticas. Além disso, há o medo
em relação ao “loucos”, especialmente pela articulação direta
entre loucura-violência-agressividade.
Um dos fatores que identifica o trabalho na urgência é exatamente
o caráter dinâmico, não rotineiro e imediato. Para tanto, os
profissionais prestam o socorro mais pontual às vítimas e podem
nunca mais vê-las. Não acompanham o desenrolar de seus casos. Já
a urgência em saúde mental compreende tudo aquilo que a emergência
clínica busca “fugir”.
Ela insere a subjetividade, integralidade, evoca uma outra ordem
de complexidade, necessitando de outra lógica. Por isso, a Saúde
Mental ainda se apresenta como um componente estrangeiro ao
serviço, recebida com grande estranhamento e vista única e
exclusivamente como “urgência psiquiátrica” e por enquanto, sem
maiores evidências de sua transformação em “urgência em saúde
mental”.
8.
Conclusiones
Percebemos que não é, de forma alguma, a regulamentação por
Portarias e nem mesmo conhecimento sobre elas que faz um serviço
funcionar. A Saúde Mental ainda se apresenta como um componente
estrangeiro ao SAMU.
Entretanto, a articulação do SAMU com a rede de saúde mental é uma
necessidade no contexto atual da reforma psiquiátrica. Para tanto
as capacitações que preparam seu pessoal para compor as urgências
pré-hospitalares são fundamentais para que, de fato, o SAMU seja
uma estratégia eficaz nesse processo.
O desconhecimento das propostas da Reforma Psiquiátrica se reflete
na prática dos profissionais do SAMU que ainda se recusam a
atender as ocorrências e quando o fazem, utilizam procedimentos
como a imobilização mecânica com o auxílio do corpo de bombeiros
ou da polícia. Ou seja, práticas ancoradas no paradigma
psiquiátrico calcado na idéia de periculosidade e na necessidade
de contenção.
Ao invés de promovermos a despersonalização do louco, arrancando-o
do seu mundo e das suas coisas conhecidas precisamos fazer o
caminho contrário: aproximar-nos do que lhe é familiar, promovendo
um autêntico acolhimento. Sendo o SAMU um dispositivo móvel, sua
maior potencialidade está em poder levar o cuidado a quem precisa.
Nesse sentido, consideramos que a lógica de funcionamento do SAMU
precisa ser transformada visando uma mudança nas práticas de
atenção ao portador de transtornos mentais, tranformando-se em um
importante articulador da rede de serviços de saúde mental. Para
tanto, é necessário superar a lógica biologicista, curativista,
tecnicista, que fundamenta a organização do serviço atualmente.
10. Contacto
Katita Jardim
katita.jardim@gmail.com
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